quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Revolta da Chibata - entenda melhor

A revolta Chibata

A Revolta da Chibata, aconteceu 22 anos depois da abolição da escravidão. É importante saber desse detalhe para entedermos os motivos que levaram os marinheiros a se rebelarem contra os seus superiores. Não foi uma rebelião apenas contra os baixos salários e os castigos físicos, como abordam os diversos livros didáticos de ensino médio. É necessário compreender um pouco o contexto socio-cultural da época em que esse movimento eclodiu.
É preciso entender que a Lei Aurea libertou os negros do trabalho escravo, dessa condição do negro ser obrigado a trabalhar sem remuneração, através da força, da opressão, do castigo físico, da humilhação, sob a mira de armas e etc. Porém, essa Lei não libertou os negros de outras situações de miséria que escravizam o ser humano, e ferem a sua dignidade. Após a proclamação da Lei Aurea, os negros ficaram entregues a própria sorte. A Lei não libertou os negros da total escravidão, todos continuaram escravos de outras situações de escravidão; escavos da fome, do preconceito, da ingnorância, do descaso, da falta de oportunidades, e outras mazelas. Aos 22 anos da "abolição da escravidão" umas das poucas oportunidades de emprego para os jovens negros era o ingresso na Marinha de Guerra ou na Marinha Mercante. Os negros representavam quase 99% dos marinheiros e cabos, todos eram netos de ex-escravos. Eram convocados como "voluntários" para fazer o serviço pesado nos navios, que dependiam de muita mão de obra para serem manobrados e navegados(navios a vela e a vapor). Era um trabalho que calegava e sujava as mãos, exigia força bruta dos marinheiros e suava a camisa. Na época existia na sociedade brasileira um preconceito muito grande contra este tipo de trabalho, pois antes era um trabalho feito pelos escravos, sendo assim, os cidadãos acreditavam que tendo que exercer uma atividade que antes era executada pelos negros, estariam eles se igualando a condição de escravo. Sendo assim, as famílias ilustres da sociedade não permitiam que os seus filhos entrassem na Marinha para fazer carreira militar começando como marinheiro, estes, entravam como oficiais para galgarem os postos mais altos do comando. Existia um abismo social enorme dentro da corporação, de um lado os marinheiros, netos de escravos e oriundos das famílias mais pobres e, do outro lado, os oficiais, vindos das famílias mais ilustres da alta sociedade que antes eram famílias escravocratas.

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